{"id":565,"date":"2012-01-16T14:41:50","date_gmt":"2012-01-16T17:41:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontraribeiraopires.com.br\/noticias\/?p=565"},"modified":"2013-08-14T11:34:52","modified_gmt":"2013-08-14T14:34:52","slug":"rede-clandestina-de-agua-abastece-700-familias-%e2%80%8eem-ribeirao-pires","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontraribeiraopires.com.br\/noticias\/rede-clandestina-de-agua-abastece-700-familias-%e2%80%8eem-ribeirao-pires\/","title":{"rendered":"Rede clandestina de \u00e1gua abastece 700 fam\u00edlias \u200eem Ribeir\u00e3o Pires"},"content":{"rendered":"<p>Cerca de 24.300 fam\u00edlias que residem no Grande ABC ainda fazem uso de liga\u00e7\u00f5es improvisadas para ter acesso \u00e0 rede de \u00e1gua. Geralmente localizados em \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental e com risco de deslizamento, estes moradores n\u00e3o pagam nada pelo recurso. A maior taxa de clandestinos est\u00e1 em S\u00e3o Bernardo, onde 11 mil resid\u00eancias s\u00e3o abastecidas por meio de \u2018gatos\u2019.<\/p>\n<p>Estimativa da Sabesp aponta que 12 mil im\u00f3veis t\u00eam liga\u00e7\u00f5es irregulares de \u00e1gua, sendo 11.000 em S\u00e3o Bernardo, 700 em Ribeir\u00e3o Pires e 300 em Rio Grande da Serra. A cidade de Mau\u00e1 concentra aproximadamente 10 mil \u2018gatos\u2019 de \u00e1gua, enquanto em Diadema 2.300 fam\u00edlias utilizam o recurso de forma irregular. N\u00e3o h\u00e1 registro de consumo clandestino de \u00e1gua em S\u00e3o Caetano e Santo Andr\u00e9 n\u00e3o soube informar os n\u00fameros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do preju\u00edzo financeiro, estimado em R$ 4,6 milh\u00f5es pela Sabesp e que as demais companhias n\u00e3o souberam estimar, as liga\u00e7\u00f5es irregulares trazem riscos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 sa\u00fade, j\u00e1 que muitas liga\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas pr\u00f3ximas \u00e0 rede de esgoto sem canaliza\u00e7\u00e3o. \u201cPor se tratar de \u00e1reas geralmente de aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas que vivem em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es, aumenta muito o risco de cont\u00e1gio de doen\u00e7as, como diarr\u00e9ias e v\u00f4mito\u201d, comenta o superintendente da Unidade de Neg\u00f3cios Sul da Sabesp, Roberval Tavares de Souza.<\/p>\n<p>Outro risco, este silencioso, por\u00e9m fatal, \u00e9 o de deslizamentos, intensificados no per\u00edodo de chuvas. Como n\u00e3o h\u00e1 controle a respeito do material utilizado para efetuar as conex\u00f5es e nem da forma como s\u00e3o feitas, as malhas improvisadas s\u00e3o mais suscet\u00edveis a vazamentos. Outro problema observado \u00e9 a baixa press\u00e3o na rede, que pode resultar em intermit\u00eancia no abastecimento. Isso porque as liga\u00e7\u00f5es exigem do sistema mais volume de \u00e1gua para o qual foi projetada para fornecer.<\/p>\n<p><strong>PROGRAMAS<\/strong><\/p>\n<p>Apenas a Sabesp informou ter metas para minimizar o consumo irregular neste ano. A companhia tem expectativa de regularizar 1.200 liga\u00e7\u00f5es de \u00e1gua, sendo a maior parte em S\u00e3o Bernardo. O processo, por vezes demorado e dif\u00edcil, caminha ao lado de programas de regulariza\u00e7\u00e3o de n\u00facleos habitacionais, como \u00e9 o caso do bairro Capelinha, onde recentemente foi iniciado processo de urbaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Mau\u00e1, a Sama estima que 10% das liga\u00e7\u00f5es \u2013 100.472 \u2013 sejam clandestinas. No entanto, a empresa de saneamento diz n\u00e3o ter nenhum programa espec\u00edfico ou metas para reverter o quadro.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1, em m\u00e9dia, 566.536 liga\u00e7\u00f5es regulares de \u00e1gua no Grande ABC.<\/p>\n<p><strong>Torneiras secas tamb\u00e9m s\u00e3o problema<\/strong><\/p>\n<p>Em meio aos \u2018gatos\u2019, nem todas as fam\u00edlias est\u00e3o satisfeitas com o fato de n\u00e3o pagarem nada pelo consumo de \u00e1gua. Isso devido \u00e0 falta de qualidade do abastecimento irregular, somado aos riscos de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, a vendedora Iolanda dos Santos Leme, 43 anos, tenta regularizar sua situa\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Sama, companhia de abastecimento de \u00e1gua de Mau\u00e1. No entanto, por morar em \u00e1rea de risco, n\u00e3o consegue o benef\u00edcio. A moradora do Jardim Orat\u00f3rio h\u00e1 16 anos diz j\u00e1 ter cansado de precisar recorrer ao improviso para ter \u00e1gua nas torneiras de sua casa, tanto que pretende se mudar com a fam\u00edlia para o estado de Minas Gerais.<\/p>\n<p>\u201cTeve tempo que a gente precisava sair com a bacia de roupa nas costas para procurar um vizinho que tivesse \u00e1gua\u201d, lembra Iolanda. A comunidade j\u00e1 chegou a ficar por at\u00e9 11 dias sem o recurso, necessitando de caminh\u00e3o-pipa para abastecer as casas. Atualmente, o principal problema de grande parte dos moradores que ainda n\u00e3o pagam nada pelo consumo de \u00e1gua \u00e9 a instabilidade do sistema. \u201cS\u00f3 temos \u00e1gua \u00e0 noite, quando enche a caixa\u201d, diz a vendedora.<\/p>\n<p>A alternativa encontrada pela ajudante geral Ademilda Leite Vaz Pereira, 37, foi dividir o registro com a vizinha. Apesar de utilizar \u00e1gua por meio de uma liga\u00e7\u00e3o irregular, ela paga pelo consumo de sua fam\u00edlia. \u201cNo fim do m\u00eas a gente divide a conta em dois\u201d, revela. A regulariza\u00e7\u00e3o, solicitada por duas vezes, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque o nome da rua onde reside h\u00e1 seis anos est\u00e1 errado na conta de energia (utilizada pela distribuidora de \u00e1gua como comprovante de endere\u00e7o).<\/p>\n<p><em>Fonte: Di\u00e1rio do Grande ABC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 24.300 fam\u00edlias que residem no Grande ABC ainda fazem uso de liga\u00e7\u00f5es improvisadas para ter acesso \u00e0 rede de \u00e1gua. Geralmente localizados em \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental e com risco de deslizamento, estes moradores n\u00e3o pagam nada pelo recurso. 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